sábado, 23 de maio de 2009

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra…”


A vida é uma constante caminhada… passo a passo vamos construindo nosso caminho, pois temos essa prerrogativa: a de escolhermos por onde ir, que senda trilhar. Muitas vezes sentimos sobre nós o peso da solidão, a angústia de pensar que estamos só na jornada. Encontramos nesse imenso deserto, tantas pessoas que desdenham, que constroem um muro de indiferença ao redor de si, que olham de forma condenadora para as demais pessoas, que se mostram superiores, mas esta suposta superioridade é apenas o confirmar de uma alma vazia, deserta e fria. Apenas as pessoas vazias não possuem o brilho do olhar. Não possuem uma alma aquecida. É inevitável que almas especiais se encontrem no caminho, pois o brilho de uma atrai a outra, faz estar perto, faz uma desejar estar na outra, sentir-se completa. O toque de um olhar é capaz de mostrar as almas que se encontram e não querem mais se deixar…

Por: Edi Souza

sexta-feira, 22 de maio de 2009

"Quase"


Ainda pior que a convicção do não,

É a incerteza do talvez,

É a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda,

Que me entristece,

Que me mata trazendo tudo

Que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,

Quem quase passou ainda estuda,

Quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades

Que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo,

Nas idéias que nunca sairão do papel

Por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes,

O que nos leva a viver uma vida morna.

A resposta eu sei décor,

Está estampada na distância

E na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços,

Na indiferença dos “bom dia”,

Quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem

Até para ser feliz.

A paixão queima,

O amor enlouquece,

O desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos

Para decidir entre a alegria e a dor.

Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,

O mar não teria ondas,

Os dias seriam nublados,

E o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina,

Não inspira,

Não aflige nem acalma,

Apenas amplia o vazio

Que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia

à duvida da vitória

É desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão,

Para os fracassos, chance,

Para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio

Ou economizar alma.

Um romance cujo fim

É instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,

Que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando…

Fazendo que planejando…

Vivendo que esperando…

Porque,

Embora quem quase morre esteja vivo,

Quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

"É difícil aprisionar os que têm asas"


Pessoas que têm asas são pessoas que não se pode aprisionar, pois quando tentamos talvez até consigamos, mas isso não durará, pois estes seres alados precisam de liberdade, precisam de espaço, precisam de vida.

Asas… voar… conquistar o céu e ir mais além… sentir o vento por todo o corpo… liberdade!!!

Quero a liberdade de dias novos, de vida nova, a liberdade de tentar e quem sabe conquistar.

Quero a liberdade de andar com os pés no chão, mas se puder a mente nas nuvens, quero nascer a cada instante, renovar os pensamentos… inovar a vida, reinventar o viver…

Quero a liberdade de pensamentos imperfeitos sem o comprometimento de ter que explicá-los… quero a liberdade de libertar a criança e a louca que há dentro do meu ser, para não ser eu e no momento seguinte voltar a ser…

Quero a liberdade de não ter cercas, muros, rédeas… a liberdade de sentir o vento no rosto e abrir os braços para aprisioná-lo e não aprisionar, porque ele é livre, então quero aprender com ele, quero imitá-lo… ele passa e não fica, mas deixa a sensação de que nunca se foi…

Quero aquela liberdade, só aquela que sabemos quando sentimos a chuva, cada gota a tocar nosso rosto e como lágrimas escorrerem por nossa face, quero a sorte gostosa e molhada da chuva caindo sobre mim, livre, intensa…

Quero a liberdade de voar… quero a liberdade de ser eu, apenas isso: eu.

Por: Edi Souza

sábado, 16 de maio de 2009

O que é o amor para mim?


Não temer o outro, seja lá no que for, contar com o outro. A mágoa é possível, mas não deixar que a mágoa se transforme em amargura e rancor. Ainda sou assustada com as pessoas com as quais me relacionei: aquela cultura machista.

É claro que existem as exceções e as exceções são bárbaras. Eu convivo com uma há dez anos: o meu marido. Os ritmos são muito hedonistas, falta paciência. As pessoas terminam os relacionamentos porque querem grandes excitações.

Sou a favor da unidade familiar, principalmente se as crianças estiverem envolvidas, mas desde que seja suportável.

Traição é uma droga. E não pela traição. O ser humano não quer dividir o seu amor. O amor requer paciência e um tempo filosófico para você se questionar. Não é o caminho do maior peito, de plástica ou então ficar trocando de paixão pelo resto da vida. Se você quer que ele dure (o amor) tem que perdoar sempre.

Para Fernanda Young, amar é acreditar

Por: Fernanda Youg

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Prefeitura precisa de revisores?

A maneira de se expressar, oralmente ou por meio da escrita, é capaz de denotar o grau de cultura e intelectualidade da pessoa, ou seja, mostra a instrução e o conhecimento do indivíduo, seria um cartão de visitas. Falar errado mostra que falta conhecimento. Escrever errado atesta este despreparo. Então fica o pensamento do final de semana: o que está acontecendo com a prefeitura de Paranaguá?

No sábado, houve uma atividade na praça Fernando Amaro em comemoração ao dia das Mães e, amigos, pasmem, esta pérola mostrada na foto acima era uma das homenagens da prefeitura às pessoas mais DIVINAS da face da terra, nossas mães. Justamente na praça ligada a vultos culturais de nossa cidade, pois Fernando Amaro foi um grande poeta, assim como Júlia da Costa que até bem pouco tempo tinha seus restos mortais depositados naquele espaço.

Paranaguá tem muita gente que ainda se preocupa com a cultura, com o conhecimento, esta faixa é uma vergonha para a comunidade e para os parnanguaras. Por favor, detentores do poder: contratem revisores, ou professores para ensinar a escrever.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Talvez


Hoje, posto um texto de Caio Fernando Abreu. É incrível o mergulho em si que este texto nos proporciona, assim como muitos outros do autor. Partindo de uma linguagem simples, dinâmica, ele nos possibilita uma reflexão sobre realidades inconscientes, sobre o mundo posto e suposto. Esse texto p mim é de grande importância é mais que um texto é uma vivência, uma concretização...

“Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (…) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (…) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.”

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Crônica do Amor


Hoje resolvi postar um texto de uma pessoa privilegiada, pois possui uma mente como poucas. Bom raciocínio, perceptividade e crítica social. Vamos ler Arnaldo Jabor.

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor