sábado, 28 de fevereiro de 2009

O que é importante em nossas vidas?


"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso."
(Chaplin)

No decorrer de nossa jornada terrena nos envolvemos em inúmeras situações, acontecimentos, com pessoas, sentimentos e uma infinidade de coisas… em determinados momentos nos sentimos perdidos, sem norte, sem destino e nos bate uma certa angústia, um titubear, passos errantes parecem querer nos deixar à deriva. Aí vem o momento de procedermos a uma análise do que realmente é importante para nós, o que é salutar em nossas sendas, o que deveras nos proporcionará felicidade.
Temos todos os caminhos diante de nós, temos um universo de possibilidades e a capacidade de escolhermos, temos o direito da escolha. No entanto, é necessário que analisemos qual o significado de cada elemento que constitui nossa jornada, ou seja, precisamos ponderar sobre o que é de fundamental importância em nossas vidas, o que é capaz de nos tornar mais fortes, mais humanos, mais sensíveis, mais cordatos.
Tantas pessoas passam por nosso viver, tantas vidas se encontram, tantas vidas se desencontram, se afastam… e todas as pessoas que passam por nós são importantes, elas nos mostram caminhos, alternativas, nos acompanham por um determinado tempo e depois nos deixam seguir nosso próprio caminho, mas passamos a caminhar de forma diferente, pois as pessoas deixam suas marcas. Então passamos a adotar um caminhar modificado pelo outro, pela certeza que aprendemos algo com aquela pessoa, que não estamos sozinhos, que podemos sempre nos apoiar e encontrar abrigo, força e um olhar no outro, mas devemos também ter a consciência que jamais podemos relegar a responsabilidade de nos trazer felicidade a outros, a felicidade é um quesito importante e cabe somente a nós conquistá-la. As pessoas nos acompanham, nos modificam, mas todas têm seu tempo em nossa vida, todas têm uma missão, uma conquista ou simplesmente algo a nos ensinar, nos mostrar…
Sabermos conviver com estas pessoas e aproveitarmos cada instante com elas são pressupostos importantíssimos em nossas vidas. Um olhar repleto de carinho das pessoas que amamos é capaz de desanuviar uma vida inteira, pois nos remete a combater o vazio que cada indivíduo carrega dentro de si mesmo. Nada neste universo acontece por acaso… fazemos parte de um plano maior, temos significados na vida de cada indivíduo que povoa nosso mundo, cada um que faz parte de nosso relacionamento e a maior herança dessas pessoas em nossas vidas é a transformação a que elas nos submetem.
Nunca estamos sós, carregamos um mundo de conhecimentos. Todos esses ensinamentos são ministrados pelas pessoas que compõem o nosso círculo existencial.
Você é importante para mim, eu sou importante para você… dependemos uns dos outros para podermos encarar todos os acontecimentos do nosso pequeno universo.

Edi Souza

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ícones culturais e artísticos





Respeito para com os ícones da cultura de nosso país. Esta deveria ser a vertente máxima em todas as cidades que supostamente se preocupam com a memória cultural e artística do local. No entanto o que observamos por diferentes locais é o desrespeito para com os preceitos culturais. Aqui em Paranaguá, na semana passada, os restos mortais de Júlia da Costa, uma grande poetisa nascida em solo parnanguara, foram retirados do local em que estavam de uma forma grotesca ainda sob a afirmação e estupefação de secretários municipais que, segundo informações em jornais, não sabiam da existência desta ossada na praça Fernando Amaro… Cúmulo da vergonha!!! Como pode um secretário ser tão desconhecedor da história do município? Qualquer pessoa que entende e se interessa um pouco pela nossa história sabe que estes ossos foram trazidos para Paranaguá em 1924, seguindo um desejo da própria artista que desejava ter o repouso eterno em sua terra natal.

Algumas cidades ainda conservam os valores locais, preservam a memória, apesar de sofrerem com a falta de cultura e consciência da população, pois a própria comunidade depreda, vandaliza... isso pode ser constatado na cidade de Porto Alegre, como pode ser visto nas imagens acima, reverenciando os grandes poetas: Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, eternizados na Praça da Alfândega, um lugar muito especial para mim. O povo gaúcho é considerado bairrista, isso deveria se expandir para os demais estados, pois só assim se valoriza o que é nosso, só assim se pode conservar a memória de um povo, a cultura, usos e costumes...

Saudade


Hoje um sentimento que assola tantas pessoas espalhadas pelo mundo me invade. A saudade que chega de mansinho e nos traz dor, materializa em nós a ausência, a falta que alguém nos faz, este fator gerando uma tristeza e um vazio intermitente na alma. Este estado de espírito em que me encontro faz com que me recorde de um texto:


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade de um filho que estuda fora. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald's; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer... Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler.


Autor: Miguel Falabella