terça-feira, 25 de agosto de 2009

Em busca da vida, em busca de nós...


“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”

Vinícius de Moraes

A vida é um caminho pelo qual percorremos sempre sem saber qual será o próximo passo. As histórias se entrelaçam, as vidas se encontram e se desencontram. Mas o importante é sempre seguirmos nossa caminhada, mesmo desconhecendo o futuro, mesmo enfrentando obstáculos, mesmo na iminência de sermos sumariamente derrotados… pois não existe derrota sumária, apenas recuos estratégicos. Apenas uma pequena parada para descanso. A vida é capaz de nos ensinar a viver.

Viver inteiramente, na intensidade que a vida pede, requer sonhos, idealizações, pois nunca podemos esquecer que estes sonhos alimentam a nossa ânsia de ter mais e mais vida, a nossa vontade de conquistar… o sonho pelo sonho é vão, mas a partir do momento que nos lançamos a sua concretização eles se tornam fomento para nossas conquistas, eles nos inserem em mundos que imaginávamos muito distantes de nós. Um sonho destruído é uma frustração, uma tentativa de homicídio. E tentam nos matar cotidianamente.

As histórias da vida são narradas e percebemos o quanto as pessoas tentam nos tirar o que temos, quantas pessoas buscam nossa destruição, por meio da simples destruição e negação de nossos ideais, nossas aspirações.

Mas é importante não nos deixarmos abater, não desviarmos de nossos objetivos, nossas vontades… sejamos sempre mais forte, mais determinados, mais prudentes e mais sonhadores. Ninguém tem o direito de nos impedir de sonhar. Ninguém tem o direito de nos impedir de viver.

É importante para cada um de nós não esquecer o exemplo mitológico da Fênix. Sobrevivamos! Por mais que tentem nos matar dia após dia. Sejamos inteiros. Sejamos nós. Sejamos vencedores.

Por: Edi Souza

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Libertas Quae Sera Tamen


“Ditadores enfraquecem o povo e produzem insatisfação. Depois os ditadores esmagam primeiro a imprensa, para impedir a cobertura de sua repressão, e depois o judiciário, para impedir justiça para suas vítimas. Os próprios elementos constituintes da democracia – partidos políticos, meios de comunicação e judiciário – são as vítimas do autoritarismo. Assim, a ditadura alimenta a instabilidade criando uma ilusão de ordem para disfarçar a grande desordem sob a superfície…” (BUTTHO, BENAZIR. Reconciliação – Islamismo. Democracia e o Ocidente. P. 166).

A ditadura é o cerceamento da liberdade dos seres humanos, uma forma de calar a boca das pessoas que veem dia após dia seus direitos serem vilipendiados. A imprensa se constitui na principal forma de conhecermos os fatores que movem o mundo, daí a importância dos meios de comunicação na formação do pensamento crítico, no fornecimento de subsídios para formar a massa pensante.

Historicamente, em nosso país, pode-se observar que muitas vezes a imprensa foi calada para que o povo não conhecesse a forma vil e desumana empregada na condução do país, nos anos em que a nação foi comandada por ditadores, sofrendo sob o regime ditatorial e militar. Neste período, a imprensa era constantemente calada, assim como jovens militantes, os quais tinham calado o grito de insatisfação por meio da imposição e da força bruta. Assim como diz o grande Chico Buarque numa de suas canções, quase um hino em favor da liberdade de expressão:

“Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano que é uma maneira de ser escutado. Esse silêncio todo me atordoa…”

É notório que a imprensa, assim como todos os setores, possui dois lados. É um elemento capaz de mover a povo para um lado ou para o outro. Mas calar a imprensa é como calar a voz do povo, mostrar que o que verdadeiramente impera é a lei do silêncio.

O fomento de uma democracia plena é ter uma imprensa atuante e livre, voltada para manifestar acontecimentos de um país. E a partir daí, evidenciar o surgimento de um povo que pode compor seus pensamentos acerca dos acontecimentos no meio em que está inserido e expressar sua forma de pensar sem que sofra represálias sob qualquer aspecto.

Sob os calcanhares de regimes ditatoriais se ocultam farsas, medos, intrigas e formas brutas de mascarar a realidade. O regime democrático possibilita a todos conhecerem os bastidores. Se hoje temos acesso a tantas informações, a tantos absurdos cometidos em nome do poder é em virtude de vivermos em uma nação democrática. Por mais que muitas ações contra os direitos ocorram, ainda temos para onde recorrer em busca da nossa liberdade, em busca de manifestar os nossos direitos, em busca de fomentar os pensamentos críticos. Somos produto de uma democracia advinda de muitas lutas recentes. Isto é, a liberdade que temos hoje, foi conquistada pela luta de inúmeras pessoas de diferentes setores: imprensa, artistas, literatos, estudantes, políticos… opositores, contestadores. Apenas por estas pessoas hoje podemos pensar e manifestar nossos pensamentos.

Mas será que a luta ficou no passado? Hoje, apesar da liberdade que temos, ainda podemos vislumbrar muitas ditaduras veladas, mesmo no Brasil. Sempre temos motivos para lutar, para não baixarmos a cabeça, para fazermos valer nossos direitos, fazer gritar nossa voz em defesa daquilo que acreditamos.

Por: Edi Souza

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais uma vez


Hoje resolvi postar uma letra de uma das maiores intérpretes brasileiras e uma grande compositora. Uma das grandes do cenário cultural brasileiro, um ícone da cultura deste país. Marisa Monte. Sua voz, ritmo, melodia e composições nos remetem a sentimentos ocultos dentro de nós mesmos. Suas canções são retratos da vida, são amores, são paixões, são vida… falar de Marisa é retratar uma artista completa, uma mulher forte, inteligente, sensível… uma autêntica brasileira.

Esta música em especial, fala da distância entre as pessoas, das vezes que precisamos nos ausentar, precisamos viajar, sair, ir para longe e se torna impossível levar quem queremos ao nosso lado. Isso nos traz saudade, vontade de largar o trabalho, a vida e voltar, sempre voltar, mas sempre precisamos continuar a jornada, o caminho… além disso, aborda a saudade. Saudade é uma palavra linda, apenas existente na língua portuguesa, ou seja, apenas nós, brasileiros, conseguimos colocar em palavras a infinidade de coisas a miscelânea, a apoteose de sentimentos que é a saudade. Nossas músicas falam em saudade, nossos poemas também… somos feitos de saudades… apreciemos a música da inigualável Marisa Monte:

Mais uma vez

Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
Vou com saudades no meu coração

Mando notícias de algum lugar...

Eu sei, que muitas vezes te fiz esperar demais
Mas mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais
Fico imaginando você sofrendo na solidão

Quando eu vou deitar penso em você em seu quarto dormindo

Longe de você meu bem, longe da alegria
Longe de você meu bem, longe do nosso lar....

Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
To com saudades no meu coração

Mando notícias de algum lugar...

Eu sei, que muitas vezes te fiz esperar de mais
Mas mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais
Fico imaginando você sofrendo na solidão

Quando eu vou deitar penso em você em seu quarto dormindo

Longe de você meu bem, longe da alegria
Longe de você meu bem, longe do nosso lar…

Mais uma vez...

Por: Marisa Monte

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O paradoxo da religião


Uma grande parcela da população mundial se move em função dos preceitos fundamentados nas diferentes religiões ou crenças. Neste contexto, pode-se observar a importância da religião nas ações humanas. Um misto de adoração, contemplação, visão deturpada de tantos quesitos de suma importância para a vida terrena.

Muitas batalhas que se travam no mundo, muitas mortes têm a raiz em teorias religiosas. O fanatismo leva pessoas a cometerem atrocidades em nome de uma fé, em nome da sua religião. Isso é prova inconteste que a religião é uma faca de dois gumes. Por um lado, deve-se levar em conta que teoricamente todas as ramificações, todas as crenças, em suma, pressupõem-se, devem ser pautadas em valores capazes de elevar o espírito, fomentar bons atributos nos seres humanos, ou seja, fundamentadas no amor ao próximo, nas virtudes de cada indivíduo.

No entanto, se a raiz de tudo deve ser o amor, por que tantas mortes em nome de um Deus que deveria ser um ícone de benevolência, perdão, misericórdia? Há algo que se perdeu no meio do caminho? Neste aspecto, é importante ressaltar que muitos modelos religiosos funcionam como uma forma de toldar pensamentos e ações. Empregam-se como um freio ao ser humano, não o deixam livre para traçar seu próprio caminho. Colocam a figura de um ser onipotente revestido do poder do universo para punir aqueles que eventualmente se afastem da senda da retidão. Até mesmo o conceito de céu e inferno é uma forma de falar às pessoas: “Cuidado, você com esta atitude que desagrada a Deus, queimará no inferno…”; “continue no caminho da retidão, respeitando e obedecendo, sem se rebelar e você terá a vida eterna”… estas são frases conhecidas em meios religiosos e servem para incutir o medo natural do ser humano em ser castigado. Mas onde está a escolha que temos? A liberdade de cada um?

Somos livres. E a religião, quando vista de forma arcaica, sem reflexões sobre suas infindas metáforas, interfere nesta nossa liberdade. Não devemos nos guiar por preceitos religiosos, devemos fazer com que sejamos de verdade um templo. Não é correto agir de forma a agradar aos outros e de forma que não nos agrade, temos que pensar em nós, nas nossas vidas, no nosso universo particular. Na maneira como encaramos a vida e os aspectos dela. Uma pessoa que se diz extremamente religiosa deveria incutir valores em si, mas percebe-se neste meio que muitos seguidores de diferentes denominações religiosas são verdadeiros perseguidores, preconceituosos e cheios de maldade. Insultam aqueles que no conceito deles não se enquadram nos princípios morais. Mas quem são eles para julgar? O preconceito é uma atitude boa? A intolerância se faz presente nos diferentes meios religiosos e serve como uma forma de cegar os seguidores. A ignorância se apodera de muitos adeptos. Há a falta de racionalidade.

É preciso que todas as pessoas tenham liberdade, mesmo as que não querem seguir a nada. Todos têm direito a expressar sua crença ou sua descrença, mas é preciso respeitar a visão de cada indivíduo. E jamais se esquecer de observar que a fé é para muitos uma forma de aceitação, comodismo e manipulação, além de ter se tornado há muito tempo um setor muito lucrativo.

Por: Edi Souza

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Metade


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar, pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro