sábado, 24 de outubro de 2009

Primeira competição?


Foto: Aluizio Freire/G1

E parece que as olimpíadas no Rio de Janeiro já começaram. E a primeira modalidade em estudo para se tornar olímpica é tiro ao alvo. A violência no Rio ganhou as páginas de jornais mundo afora. Mais uma vez o país está na berlinda em virtude de fatores negativos e um jornal londrino já levantou a dúvida se o país está mesmo preparado para receber os jogos olímpicos.

Não está e nunca esteve. Um dia quem sabe poderá estar… cidadãos inocentes vivem rodeados pelo medo de um novo confronto polícia X traficantes, o tráfico comanda os morros cariocas, o subúrbio, e se instala no poder. Hoje, o tráfico é um poder paralelo, pois controla a vida de inúmeras pessoas.

Se as modalidades olímpicas fossem mudadas, teríamos muitas medalhas de ouro para o Brasil. Quem sabe tiro ao alvo humano? Quanto vale uma vida neste país? Parece que nada, pois vemos ações políticas voltadas à promoção pessoal e eleitoreira, vemos uma comunidade de acomodados e nada é feito para mudar verdadeiramente e oferecer condições dignas para a sociedade como um todo.

Mas o que importa a situação da segurança no Rio de Janeiro? O que importa se há desigualdades? O que importa todos os fatores negativos em destaque pelos diferentes cantos do país? Isso nada importa, pois estamos na iminência de realizar os dois mais belos e importantes eventos esportivos: a copa do mundo e as olimpíadas… a festa é importante e brasileiro sabe festar, se divertir, ter alegria… isso se o mundo não acabar em 2012…


Por: Edi Souza

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

“Só a literatura salva”


“- Tomara que acorde em tormentos! - bradou ele com pavorosa veemência, batendo com o pé no chão e arquejando num paroxismo de insensato furor. - Então ela mentiu até ao fim! Onde estará? Não há de estar lá, no céu... nem se acabou... onde estará? Ah, disseste que não te importavas com o que eu sofresse... Pois faço uma oração... hei de repeti-la até que minha língua se paralise... Catherine Earnshaw, praza a Deus que não tenha descanso enquanto eu viver! Disseste que eu te matei... pois persegue-me agora com o teu fantasma!... Sei que a vítima persegue o seu assassino. E sei que andam almas penadas pela terra... Fica comigo para sempre... toma qualquer forma... enlouquece-me! Mas não me deixes neste abismo onde não te possa encontrar! Oh, Senhor! É inexprimível! Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!"

WUTHERING HEIGHTS, O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë

Como diria uma pessoa especial, alguém intelectualmente interessante, “só a literatura salva” e eu completaria com a afirmação que: por meio da literatura podemos encontrar grandes respostas. Ela tem a faculdade intrínseca de desanuviar, dar luz ao conhecimento, elucidar questões insondáveis, trazer inúmeras respostas a dúvidas, mas também tem o poder de trazer mais e mais perguntas, argumentações, indagações da realidade, do visto e não visto, do dito e não dito, do real e irreal, do concreto e do imaginário… nas páginas dos livros é possível encontrar a nós mesmos e identificar emoções, sentimentos… o principal deles é o amor. Para se conhecer o amor, identificar a força deste sentimento supremo é preciso sentir, amar, mas a literatura nos dá mostras de todos os preâmbulos de Eros, pois belas e intensas histórias de amor estão imortalizadas nos escritos de Shakespeare, Camões, Machado de Assis, Emily Brontë… são muitos exemplos, mas hoje vamos nos ater a força da literatura feminina.

Emily Brontë foi uma escritora britânica, a qual viveu isolada da sociedade, distanciada das mazelas sociais, no entanto, deu ao mundo um presente: o livro O Morro dos Ventos Uivantes. Trata-se de uma narrativa brilhante em que se observa toda a dimensão do amor. Um amor que atravessa o tempo, a vida e a morte… um amor verdadeiro. A força deste amor é facilmente percebida no trecho supracitado, momento em que Heathcliff pronuncia a grandeza de seu sentimento, algo maior que ele e verbaliza de maneira veemente o que seria o mundo para ele sem a presença de Catherine Earnshaw, a sua amada.

Os seres humanos, quando amam de verdade e de repente se veem sem a presença da pessoa amada, são tomados pelo sofrimento, pela dor… a falta de perspectiva de norte, de direção, de alento. De uma hora para outra o mundo se transforma em algo sombrio, vazio, um abismo sem fim…

“Só a literatura salva”.

Por: Edi Souza

domingo, 18 de outubro de 2009

"As pequenas coisas da vida"


“As coisas mais insignificantes têm às vezes maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde.” Crime e Castigo

Como desvencilharmos das pequenas coisas? Acaso não são elas que povoam nosso mundo, que recheiam nosso imaginário? Para tecermos nossos sonhos, nossas aspirações, tudo depende das pequenas coisas, daquelas aparentemente mais insignificantes e, no entanto, são elas as quais relegamos muitas vezes ao esquecimento que vêm sorrateiras e nos entregar, a nos contagiar e nos remeter ao nosso próprio universo.

Não se pode construir um muro sem pedaços de blocos pequenos, sem os tijolos… não se pode fazer um desenho sem que se coloque traços sobre o papel, não se pode arquitetar grandes clássicos da literatura sem que se teça períodos, compostos por orações constituídas por palavras, estas por sílabas e finalmente por letras, os signos menores de um contexto superior que é a elucidação de nossos sentimentos, dos nossos pensamentos, das nossas angústias.

As palavras são pedaços de alma, de sentimento, uma forma de nos mostrarmos. Um mundo misterioso capaz de servir de espelhos para nós mesmos, pois nos refletem tal qual nós somos. Assim, podemos verificar a importância das pequenas coisas, aquelas capazes verdadeiramente de transformar as nossas vidas, não há grandes coisas sem as pequenas.

Em Crime e Castigo, clássico da literatura universal, Fiodor Dostoiévski, literato russo, traz à tona muitos mistérios da introspecção humana. Em um ambiente assolado pela miséria, pobreza, falta de perspectivas e desolação humana, personagens se debatem com sua própria pobreza interna. A degradação advinda da culpa. Neste contexto, tem-se a prerrogativa que somos nosso próprio juiz, nossa mente nos julga e nos torna os condenados. Respondemos pelos crimes. Nós sabemos o que nos fere e fere aos outros e a culpa, o remorso, impele cada ser humano a recorrer a um abismo de tristezas e mágoas. Até chegar ao limite do que se pode suportar.

Além disso, o livro é um retrato de tiranias, desníveis sociais, dominação por meio de instituições, faz alusão a problemas sérios de ordem social e econômica. O submundo é apresentado, se constituindo no nosso próprio mundo.

Mais uma vez, um exemplo de que a literatura é o desvendar de nós mesmos. Podemos nos conhecer por meio das páginas dos livros. São mundos, são exemplos, são formas de mostrar a realidade, de reconstruir, de elucidar os pensamentos e nos trazer as informações mais necessárias para conhecer a si mesmo e aos outros.

Literatura é vida, é conhecimento, é doação, entrega… é um mundo crível e incrível ao mesmo tempo, conjugando o real e irreal, um mundo paradoxal e inigualável.

Por: Edi Souza

sábado, 17 de outubro de 2009

Horário de Verão


Aí vem uma semana de cansaço, indisposição, mal-estar e muito sono. Hoje o horário de verão entrará em vigor e lá vamos nós a mais uma adaptação de horário biológico. O que me incomoda é o fato de acordar muito cedo e sofrer depois com uma vontade incrível de me jogar nos braços de Morfeu.

Não gosto desta mudança. Claro, muitos são a favor, em virtude da máxima de que teremos mais tempo de sol, por isso, poderemos nos divertir em praias, bares e outros, além do argumento lógico da economia de energia elétrica, a qual praticamente não é sentida nos bolsos do cidadão comum, mas sim no consumo das grandes hidrelétricas, em nosso cotidiano, apenas sentiremos os dias subitamente mais longos e muitos chegam mesmo a esquecer que quando acordaram para se preparar para mais um dia de trabalho, ao contrário de outras épocas, foi necessário ligar as luzes de casa, pois ainda se fazia escuro. Depois foi preciso sair de casa, ainda no escuro e chegar com o dia amanhecendo no local de trabalho.

No meu caso, o raciocínio se torna mais lento, tenho dificuldades de concentração em decorrência daquela pequena grande uma hora de falta de sono. Só sei pensar: quero minha cama. E que dia! Impregnado pela falta de vontade e coragem de realizar meus afazeres cotidianos.

Muitos podem argumentar: é só você deitar mais cedo. Não me cabe esta prerrogativa. É impossível. Ossos do ofício. Mas agora é acostumar-se e tocar a vida e que venha fevereiro para comemorarmos o carnaval e o fim do horário de verão.

Por: Edi Souza

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Música e erotismo precoce"


Algumas composições a que costumam chamar de músicas, as quais de baixíssima qualidade sem que se tenha nenhuma mensagem interessante ou mesmo qualquer quesito artístico, estão sendo lançadas diariamente no cenário cultural brasileiro. De certa forma, isso é um retrato da categoria intelectual, cultural e artística de toda a nação, ou seja, a produção cultural está a cada dia com menos qualidade, pois é o que o povo está apreciando.

Um fato interessante chama a atenção nesta semana. Após a “fantástica” apresentação de uma professora na Bahia dançando em uma boate uma pérola musical denominada “Todo Enfiado”, fato que repercutiu nacionalmente, inclusive rendendo demissão à docente, agora foi a vez de uma creche, também na Bahia, fazer uma festa para as crianças com faixa etária de 4 a 8 anos. Tudo perfeito, crianças precisam de diversão, entretenimento, isso é importante para o seu desenvolvimento integral. Mas a qualidade deste desenvolvimento é que leva as pessoas a pensarem: a que ponto chega a banalização do sexo, por que esta erotização precoce? Crianças devem brincar para adquirir conhecimentos. Por meio do lúdico pode-se diferenciar e conceituar aspectos do mundo, pode dar vazão à busca pelo conhecimento, pode fazer com que os menores sejam motivados e subsidiados para o exercício da cidadania plena. Cidadão participativo se forma no seio familiar e na escola. Mas a festa não foi tão produtiva assim, pelo menos é o que se verifica no vídeo do endereço abaixo.

Isso é um absurdo, uma vergonha. Escola é ambiente saudável, voltado para o aprendizado. Professores são os pilares deste ambiente e, como tais, devem apresentar postura, devem ter suas atitudes pautadas em valores para poder repassá-los aos seus alunos, mas quando vemos crianças sendo estimuladas desde cedo a uma subcultura, a uma depreciação do próprio corpo, do sexo, ao erotismo fora de época, paramos e nos perguntamos: que tipo de profissional é este? Que cidadão esta escola vai formar? Qual o papel dos pais que permitem tal absurdo?

Escola é templo de construção de pensamentos, local de desenvolvimento de potencialidades, valorização da verdadeira cultura, espaço para reflexão. Não combina com “surubão”, “todo enfiado” e demais pérolas do imenso Brasil. É o momento de repensar a maneira que está sendo conduzida a nossa educação, faz-se necessário espírito crítico dos docentes, para podermos amanhã cobrar da juventude atitudes.

Por: Edi Souza

Veja no endereço abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=2JOlJAry8uE

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Algumas discrepâncias"


O Brasil possui inúmeras crianças vivendo em estado de miséria. É público e notório o fato que muitas sofrem em virtude da falta de assistência adequada, cuidados, e tantos outros critérios assegurados por lei, pois de acordo com as leis voltadas aos menores, é evidente que cabe aos responsáveis fornecer subsídios capazes de promover o desenvolvimento integral da criança. Neste contexto, podem-se ser citados aspectos como: saúde, educação, segurança, lazer, ou seja, direito a um lugar saudável para o seu crescimento.

Duas reportagens em um mesmo veículo de comunicação chamaram a minha atenção hoje. Na Folha do Litoral, jornal diário desta cidade, em uma página foi noticiado o fato de uma criança de apenas dois anos ter sido encontrada fora do convívio familiar. A mãe, vinda de Curitiba, abandonou a criança aos cuidados de uma conhecida e simplesmente seguiu o rumo de sua vida indo trabalhar em boates da cidade. Após três meses do ocorrido, denúncias chegaram ao Conselho Tutelar, o qual, como é seu dever, foi averiguar. Ao chegar, o quadro dantesco: a menina, lembrando que se trata de uma menor indefesa de apenas dois anos de idade, estava cheia de sarna, com a cabeça repleta de pus, tamanha deve ter sido a coceira que acometeu esta menina.

Outro fato encontrava-se em páginas anteriores: um rapaz de Curitiba está tentando adotar uma menina, no entanto, em virtude dele viver uma relação homoafetiva, foi impedido pela Justiça sob a alegação que isso só poderá se efetivar após a criança completar 12 anos, estiver ciente da situação em que viverá e puder optar por ser criada em um lar diferente dos padrões considerados normais. Há que se ressaltar que este casal homoafetivo tem condições financeiras, psicológicas e emocionais favoráveis à criação de qualquer criança.

Temos então duas situações: uma mãe que abandona uma criança indefesa à sorte do mundo, sem assistência e afirma, categoricamente, que não quer a criança e um casal disposto a dar todo tipo de atendimento a uma outra criança, ou seja, fornecer um lar de verdade.

O que há de errado nas adoções por homoafetivos? São pessoas capazes de amar incondicionalmente, como qualquer outro ser humano. Com a ressalva que, certamente, as crianças não serão abandonadas à própria sorte, tendo seus dias de infância, de brincadeiras, cortados por fatores que causam sofrimento, angústia e solidão, pois eles escolheram, optaram por adotar, auxiliar e dar condições de vida a um menor. Além disso, não permitir a adoção ou combatê-la como se observa em tantos setores sociais sob argumentos de confundir as crianças e expor os menores à ridicularização ou preconceito é, em suma, uma forma de preconceito também. O triste nesta história é que a Justiça prefere deixar a criança sem lar, sem carinho, sem amor, sem família a colocá-la em um lar homoafetivo, no qual encontrará apoio e tranquilidade para buscar viver a própria vida e quem sabe tentar ser feliz.

Por: Edi Souza

domingo, 4 de outubro de 2009

"Pão e circo ao povo"



A concepção política de César concebida no antigo império romano continua em voga na atualidade. O imperador romano, o grande César, sabia das necessidades do povo, pois em virtude do crescimento demográfico vivido na época, problemas sociais surgiram, mas o importante era calar uma massa faminta e sem perspectivas com espetáculos promovidos no Coliseu, daí vem a célebre frase “dê pão e circo ao povo”.

Esta proposição encerra dentro de si a mais pura verdade em se tratando de administração pública. Ela parece se enquadrar perfeitamente na atualidade brasileira, pois a população em sua maioria assiste calada a tantos problemas sociais e ao agravamento de tantos outros. O quadro que se evidencia na atualidade é composto por crises, corrupções, miséria, falta de assistência básica à população (saúde, educação, segurança), dentre inúmeros outros fatores. No entanto isso não é importante, pois o Brasil conquistou a façanha de sediar os jogos olímpicos de 2016, o primeiro país sul-americano a conseguir tal fato. Eis o circo para o povo…

A maior parte da população aprova a realização das olimpíadas em solo brasileiro, pois isso se torna senso comum, é incutido na mente das pessoas que um evento nessas proporções trará dividendos, status para o país, mas e onde ficam nossos problemas? Quanto dinheiro será investido para ocultar a pobreza que espreita nas soleiras das portas? Quantos ultrajes sofrerão os menos privilegiados economicamente neste evento mundial e completamente elitizado? Será que algum brasileiro nutre a esperança de ver os pobres presentes nos eventos esportivos? Acredito que até mesmo nas provas de rua, como a maratona, o esquema de segurança será montado com muita antecedência para deixar a cara verdadeira do Brasil longe das câmeras do mundo.

Mesmo com todo este cenário, a população estará rindo, feliz, contagiada pelo espírito olímpico e sofrendo os ditames da corrupção, nem se observará neste período problemas como violência, assassinatos, falcatruas, crime de colarinho branco, conchavos políticos e assinaturas que prejudicam grande parte da população. Quem se importa com isso? Afinal temos a realização do maior evento desportivo no nosso país. Isso é importante, o que sofreremos depois isso passa. Mas as olimpíadas também acabarão. Aí ressurgirão os nossos novos e velhos problemas.

É preciso que em todas as suas esferas a sociedade se manifeste pelos seus direitos, consiga enxergar as entrelinhas, não se deixe dominar pelo circo.

Por: Edi Souza