Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A inconfidência Mineira


Mais uma vez eu afirmo que podemos perfeitamente e tranquilamente estudar os aspectos fundamentais que norteiam ou formam uma nação por meio das páginas literárias. A literatura é o retrato da realidade, é a busca por desvendar, explorar o real, reinventá-lo. Por meio dos livros, dos períodos, dos autores, podemos entender todo um contexto de uma época, analisar a cultura, os hábitos, os costumes e, inclusive, entender a história do país.

É fácil repensar os critérios e nuances referentes à Inconfidência Mineira, esse importante passo dado para a conquista da liberdade, da independência, por meio da análise da obra “O Romanceiro da Inconfidência”, da grande poetisa Cecília Meireles. Para muitos esta se constitui na principal obra da autora e ao se dar a leitura podemos perceber elementos líricos e épicos dentro de uma narrativa em versos. Além disso, a tradição popular, as diferentes formas de exploração a que os brasileiros eram submetidos, principalmente com a cobrança de impostos altíssimos. Neste cenário, dominado pela opressão, surgiu um grupo, dominado pelos ideais iluministas franceses para conclamar a busca pela liberdade.

Podemos acompanhar as reuniões às escondidas, parece até mesmo que podemos ouvir o trotar de cavalos e sentir as velas e lampiões ardendo a iluminar as ideias que fervilhavam entre alferes, políticos, intelectuais, entre os quais os grandes literatos Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa. Torna-se evidente até mesmo a conspiração contra o grupo e a subsequente traição de um membro da equipe.

É importante frisar, que Cecília Meireles confere aos envolvidos na “conspiração” um caráter mais humanizado, deixando claro que todos foram condenados, mas apenas um morreu na forca: Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Acompanhe trechos da obra:

Quando ela fala sobre a traição:

Ai, que o traiçoeiro invejoso junta às ambições a astúcia. Vede a pena como enrola arabescos de volúpia, entre as palavras sinistras desta carta de denúncia!

Da morte de Cláudio Manuel da Costa:

Já lhe vão tirando a vida. Já tem a vida tirada. Agora é puro silêncio, repartido aos quatro ventos, já sem lembrança de nada.

E da confecção da bandeira:

Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, uns sugerem, uns recusam, uns ouvem, uns aconselham. Se a derrama for lançada, há levante, com certeza. Corre-se por essas ruas? Corta-se alguma cabeça? Do cimo de alguma escada, profere-se alguma arenga? Que bandeira se desdobra? Com que figura ou legenda? Coisas da Maçonaria, do Paganismo ou da Igreja? A Santíssima Trindade? Um gênio a quebrar algemas? Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, entre sigilo e espionagem, acontece a Inconfidência. E diz o Vigário ao Poeta: “Escreva-me aquela letra do versinho de Virgílio...” E dá-lhe o papel e a pena. E diz o Poeta ao Vigário, com dramática prudência: “Tenha meus dedos cortados antes que tal verso escrevam...” LIBERDADE, AINDA QUE TARDE, ouve-se em redor da mesa. E a bandeira já está viva, e sobe, na noite imensa. E os seus tristes inventores já são réus — pois se atreveram a falar em Liberdade (que ninguém sabe o que seja). Através de grossas portas, sentem-se luzes acesas, — e há indagações minuciosas dentro das casas fronteiras. “Que estão fazendo, tão tarde? Que escrevem, conversam, pensam? Mostram livros proibidos? Lêem notícias nas gazetas? Terão recebido cartas de potências estrangeiras?” (Antiguidades de Nîmes em Vila Rica suspensas!

Por: Edi Souza

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

“Só a literatura salva”


“- Tomara que acorde em tormentos! - bradou ele com pavorosa veemência, batendo com o pé no chão e arquejando num paroxismo de insensato furor. - Então ela mentiu até ao fim! Onde estará? Não há de estar lá, no céu... nem se acabou... onde estará? Ah, disseste que não te importavas com o que eu sofresse... Pois faço uma oração... hei de repeti-la até que minha língua se paralise... Catherine Earnshaw, praza a Deus que não tenha descanso enquanto eu viver! Disseste que eu te matei... pois persegue-me agora com o teu fantasma!... Sei que a vítima persegue o seu assassino. E sei que andam almas penadas pela terra... Fica comigo para sempre... toma qualquer forma... enlouquece-me! Mas não me deixes neste abismo onde não te possa encontrar! Oh, Senhor! É inexprimível! Não posso viver sem a minha vida! Não posso viver sem a minha alma!"

WUTHERING HEIGHTS, O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë

Como diria uma pessoa especial, alguém intelectualmente interessante, “só a literatura salva” e eu completaria com a afirmação que: por meio da literatura podemos encontrar grandes respostas. Ela tem a faculdade intrínseca de desanuviar, dar luz ao conhecimento, elucidar questões insondáveis, trazer inúmeras respostas a dúvidas, mas também tem o poder de trazer mais e mais perguntas, argumentações, indagações da realidade, do visto e não visto, do dito e não dito, do real e irreal, do concreto e do imaginário… nas páginas dos livros é possível encontrar a nós mesmos e identificar emoções, sentimentos… o principal deles é o amor. Para se conhecer o amor, identificar a força deste sentimento supremo é preciso sentir, amar, mas a literatura nos dá mostras de todos os preâmbulos de Eros, pois belas e intensas histórias de amor estão imortalizadas nos escritos de Shakespeare, Camões, Machado de Assis, Emily Brontë… são muitos exemplos, mas hoje vamos nos ater a força da literatura feminina.

Emily Brontë foi uma escritora britânica, a qual viveu isolada da sociedade, distanciada das mazelas sociais, no entanto, deu ao mundo um presente: o livro O Morro dos Ventos Uivantes. Trata-se de uma narrativa brilhante em que se observa toda a dimensão do amor. Um amor que atravessa o tempo, a vida e a morte… um amor verdadeiro. A força deste amor é facilmente percebida no trecho supracitado, momento em que Heathcliff pronuncia a grandeza de seu sentimento, algo maior que ele e verbaliza de maneira veemente o que seria o mundo para ele sem a presença de Catherine Earnshaw, a sua amada.

Os seres humanos, quando amam de verdade e de repente se veem sem a presença da pessoa amada, são tomados pelo sofrimento, pela dor… a falta de perspectiva de norte, de direção, de alento. De uma hora para outra o mundo se transforma em algo sombrio, vazio, um abismo sem fim…

“Só a literatura salva”.

Por: Edi Souza

domingo, 1 de março de 2009

Vinícius, o poeta de Eros


Vinícius de Moraes, um grande poeta, conhecido no meio literário como “o Poetinha”, nos deixou grande legado literário, soube como ninguém cantar o amor, nos mostrar as diferentes facetas em que o sentimento maior da humanidade se manifesta. Entender Vinícius é chegar perto da dimensão que o amor nos oferece. Eis a literatura a serviço do entendimento de nós mesmos, a serviço de compreendermos o que de real acontece em nosso meio, a nossa volta… a literatura é a arte que nos molda, nos remete a universos distantes, mesmo aqueles que se encontram dentro de nós. Tão perto e tão distantes, ela dá vida aos nossos anseios, desmistifica, nos apresenta a nós mesmos. Poeta eterno, aqui uso este espaço para reverenciá-lo... Vinícius, meu amigo, Vinícius a quem recorro em tantos momentos para por meio de seus versos encontrar tantas respostas e muitas, mas muitas novas perguntas.

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você.

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você.

Vinícius de Moraes