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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Parabéns, Paranaguá! Parte 2

Vista da Ponte da Ilha dos Valadares, casarios da Rua da
Praia, às margens do Rio Itiberê
Hoje, Paranaguá, considerada o berço da civilização paranaense está completando 362 anos. De acordo com os relatos históricos “aqui nasceu o Paraná”. Aqui teve origem a colonização paranaense. Quantas riquezas, quantos valores, quantos feitos… e ao completar seu aniversário quanto abandono!

A cidade carece de investimentos em diversos setores. Para comprovar tal fato, basta uma breve passada pelos casarios e monumentos históricos. Mesmo assim, quanta beleza existe nas “margens calmas deste rio encantador” que se chama Rio Itiberê, é uma cidade deveras muito bonita, mas descuidada.

Lixo, ruas sem pavimentação adequada, falta de lixeiras pela cidade, buracos até mesmo em lombadas, falta de manutenção nos prédios históricos, deficiência no atendimento ao turista, falta de infraestrutura para atender bem aos visitantes… melhor parar por aqui, pois são tantos problemas, mas parece que a solução de alguns está por vir.

É isso, mesmo. Ontem, o governador Orlando Pessuti esteve na cidade para assinar aquilo que trará alguns dividendos para a cidade: é o fim do embate histórico entre Porto e município, pois, de acordo com as intenções registradas e assinadas, a autarquia fará o repasse do ISS aos cofres do município; além disso, uma outra excelente notícia, o fim do problema da superlotação e o perigo que representa a cadeia de Paranaguá, foi autorizada a licitação para a construção do presídio em nossa cidade.

O que certamente será mais visto e sentido pela população será, sem dúvida, o presídio. Não se pode esquecer que a superlotação na carceragem colocava em risco a comunidade, pois era iminente a fuga em massa, rebeliões, proliferação de doenças. Vale ressaltar que a 1ª SDP tem capacidade para 26 presos e estava com um número exorbitante de 260, dez vezes mais que sua capacidade, além do prédio estar localizado numa área central da cidade.

Já em se tratando do ISS, é desejo da população que esta verba seja empregada em benfeitorias para o município, ou seja, a comunidade precisa acompanhar a utilização deste dinheiro. Olhos abertos, cidadãos!

Mas, realmente são grandes presentes para a cidade mãe do Paraná. Só espero que não seja nenhum presente de grego. Ou presente virtual. Vamos aguardar.

Por: Edi Souza

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Parabéns, Paranaguá! Parte 1

Uma senhora de respeito que pode se enquadrar em muitos quesitos do Estatuto do Idoso. Abandono, maus-tratos, descaso entre tantas outras ações que denotam a forma como vem sendo tratada a cidade mãe do Paraná podem ser verificadas por qualquer pessoa, seja ela atenta ou até mesmo meio desligada, pois mesmo os cidadãos desligados, aqueles que andam no mundo da lua não conseguem deixar de perceber os infindáveis buracos que avançam em diferentes vias do município.

Paranaguá está completando 362 anos. Uma cidade histórica que, segundo as autoridades entendedoras de turismo, é uma mina de ouro para o terceiro setor, a indústria sem chaminés, sem fumaças, aquela que traz dividendos para os cofres públicos e faz ecoar o nome das cidades em diferentes polos do mundo, mas a realidade é bem diferente e para confirmar tal fato basta uma rápida passada pelos locais da cidade em um domingo à tarde para percebermos a falta de opções, o descuido para com os logradouros e monumentos históricos, além da falta de investimento do Poder público e do setor privado em atividades e alternativas de lazer e entretenimento.

O que um turista pode fazer em Paranaguá num domingo à tarde? Quem sabe sentar à beira do Itiberê e se encantar com a bela paisagem, não se pode negar que realmente é um local lindo, de tirar o fôlego, mas temos que segurar mesmo a respiração ao sermos interrompidos dos devaneios por pedintes, mendigos, moradores em situação de rua e alguns drogados e cuidadores de carro. Estas pessoas em tom muitas vezes ameaçador intimidam tanto a população local quanto os visitantes.

Outros fatores importantes a se ressaltar é a ausência de bares, casas noturnas, restaurantes e outros que atendam de forma diferenciada, pois turista está em férias, ou seja, não tem hora para nada. Se alguém quer ficar até às 4h da madrugada em um bar, certamente passará pela cena constrangedora dos atendentes levantando cadeiras e colocando sobre as mesas: um autêntico “vai nessa, chato, eu quero fechar e ir para casa dormir”.

Assim segue a vida. A nossa tão querida Paranaguá me lembra os versos do grande Vinícius de Moraes: “pátria minha tão pobrinha”, pois é, aqui podemos alterar para “terra minha tão pobrinha, abandonada e sem luz”.

Até quando, meu Deus?

Por: Edi Souza

terça-feira, 3 de março de 2009

Paranaguá: polo turístico


“Com a construção do Terminal estaremos dando um imenso impulso na indústria turística do Paraná. Os turistas, com a proximidade de aeroportos, ferrovias, boas estradas e se encantando com as nossas imensas belezas naturais, estarão consolidando uma nova economia no litoral, a indústria que não polui, a indústria turística”, assegurou o prefeito Baka.
Paranaguá recebe diariamente o status de cidade turística. E não se pode discordar que o município tem realmente potencial turístico. Hoje em dia a indústria que não polui, o setor de turismo, é responsável por inúmeros empregos diretos e indiretos. São muitos exemplos bem sucedidos de cidades despontando no Brasil e no mundo embasando a economia neste ramo. No entanto será que Paranaguá está pronta para o turismo? Teria o município capacidade para receber turistas de diferentes partes do mundo e fidelizá-los?
Ao realizarmos uma pequena análise sobre os principais quesitos fomentadores de recebimento de pessoas, clientes potenciais, pode-se chegar facilmente à resposta a essas questões supracitadas. Primeiramente faz-se necessário um investimento maior na área e a consciência de que só as belezas naturais não serão suficientes para se tornar um local atrativo turisticamente. Os diferentes pontos turísticos da cidade se encontram deixados de lado, entregues ao desgaste do tempo, isso pode ser facilmente verificado com o prédio da Estação Ferroviária, o local está completamente abandonado. Há um embate para que o trem de passageiros venha até Paranaguá, mas é importante pensar sobre o que estes turistas encontrarão em Paranaguá. Hoje vivemos rodeados de lixo, falta de opções de lazer e entretenimento, péssimo atendimento em tantos locais e estabelecimentos comerciais, descaso com os monumentos, além de constantes atos de vandalismo da própria população. Em vista disso, não se pode afirmar que a cidade nesses está preparada para o recebimento de turistas.
Quando uma pessoa viaja, quer encontrar coisas bonitas e bem cuidadas, não quer dar de cara com pobreza e miséria, ou descaso para com a história, a cultura ou a memória do próprio povo. As pessoas podem argumentar que a cidade é favorecida pelas belezas naturais. Perfeitamente correto: a Ilha do Mel é um paraíso, mas também sofre com problemas de infraestrutura e falta de investimento. Quantos dias são necessários para um turista conhecer todos os pontos turísticos do município e se mandar de nossa cidade cheio de intenções de não mais voltar? Neste momento, o que temos é exatamente isso: a expulsão de turistas, aqui ele não se sentirá acolhido.
Mas este cenário pode ser modificado, desde que haja políticas sérias voltadas para este setor, tais como: criação de grupos para pesquisa e análise de mercado, com atuação de fiscalizadores dos diferentes atributos turísticos, desde recebimento em hotéis, restaurantes, bares e outros, é importante analisar a satisfação do cliente e as reais necessidades e anseios destes turistas; limpeza e conservação dos bens públicos; marketing e propaganda dentre muitas outras ações. Os estabelecimentos comerciais precisam estar mais bem preparados, atender melhor, oferecer serviços que primem pela qualidade é necessário criar mais opções de lazer e entretenimento. E não podemos esquecer que quem viaja tem dinheiro para gastar, consequentemente, poderá alavancar a economia do município, criando uma nova forma de centralização da economia. Outro fator importante é em relação à conscientização das pessoas no tocante à preservação dos locais. É inconcebível a ideia do próprio munícipe depredar, destruir o patrimônio público. Cada cidadão deve agir com responsabilidade diante do bem público e ser um agente fiscalizador e não se portar como alguém não civilizado, destruindo e gerando gastos desnecessários do nosso próprio dinheiro.
Texto: Edi Souza
Foto: Gediel Mendes